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Rosana Helena Gracioli Dias Vitachi sempre gostou de escrever. Desde sua adolescência, além de escrever poesias e contos, se divertia contando histórias e as interpretando para suas amigas. É formada em Comunicação Social, já tendo cursado teatro, cinema & vídeo e roteiro. Nascida em 29 de janeiro de 1972 é hoje casada, mãe de 4 filhos (um já no céu), conselheira e orientadora espiritual e reside com sua família em Campinas (SP), cidade onde nasceu.

Como aconteceu o primeiro livro, O Espelho do Monge, em minha vida.

              Uma importante página da minha história foi virada em 2011, quando descobri que escrever para mim não era apenas um hobby ou devaneio, mas missão. Desde a adolescência escrevo... poesias, contos, músicas, roteiros... sem saber que isso estava me ajudando a construir as bases para dar suporte à essa minha descoberta.

 

             Inspirada num seriado de tv, Supernatural, e encantada com seu formato inicial, me animei às primeiras páginas mentais da história, que ainda bem pequenina, já me fazia descobrir que eu “estava grávida”! Ela ainda não tinha nome... mas tinha um sentido e isso era o mais importante naquele momento. Queria escrever, mas com sentido e por meio de analogias e símbolos, pois isso especialmente me encanta!!

 

             Ideias relacionadas com um espelho que tivesse o “poder” de revelar o estado da alma de quem se olhasse nele, foram se formando... ideias de um autoconhecimento foram me seduzindo...

 

              O primeiro desafio para mim, foi escrever essa história em formato de livro. Roteiro para mim seria mais fácil, mas um livro parecia mais adequado. Então iniciei a adaptação das cenas que eu via, para os capítulos que eu escrevia.

 

             Segundo desafio: Escrever tudo com sentido, onde nada estivesse lá “por acaso”. Assim, meu objetivo inicial tomou uma dimensão maior e mais profunda, ajudar e encorajar as pessoas a um autoconhecimento sincero, para que descobrissem suas riquezas e fossem mais livres e felizes. Incentivar que as pessoas se encontrassem com Alguém Maior, que descobrissem que não estão e não são sozinhas, que são habitadas! Habitadas pelo Amor verdadeiro!

 

              Terceiro desafio: Encará-lo! Como escrever esse itinerário de autoconhecimento? Como tocar, em algum lugar, algum momento, na vida de cada um que se propusesse a ler? Como encorajar os leitores à essa aventura tão difícil e ao mesmo tempo, tão gratificante? Através da via de Safia, ousei tentar!

 

               A essa altura minha gestação prosseguia empolgante e desafiadora, e a história já tomava sua forma, uma forma mais definida, ganhava um corpo próprio e único. Um livro, dividido em três partes. Inspiração vinda das Sagradas Escrituras, 12 capítulos na primeira parte(simbolizando o AT), 12 na segunda(simbolizando o NT) e um único capítulo, dividido em três momentos (símbolo da Santíssima Trindade), na terceira. Os nomes escolhidos, todos selecionados pelos seus significados, que completariam o sentido da história. Sim, pois acredito que cada pessoa, com seu nome, completa o sentido de sua própria história. Para mim, o nome diz muito, nós não os escolhemos, nos é dado!

Ao chegar ao fim da primeira parte e início da segunda, descobri que estava grávida de minha quarta filha! Então, minha gravidez não era mais só no campo intelectual, mas “se fez carne” também! Nesse momento, dei uma pausa na escrita, devido à necessidade de sono que sinto na gravidez, me decidindo por continuar a história depois. Isso foi uma necessidade real, mas também uma certa “desculpa” para tentar me preparar melhor para aquela que era, para mim,  a parte mais desafiante e difícil de escrever: a alma de Safia!

  

               Decidida a viver uma coisa de cada vez, me dediquei à minha gravidez. Quando estava por volta do terceiro para o quarto mês de gestação, descobrimos que era uma menina e colocamos o nome de Celina (filha do céu, pequena guerreira), descobrimos também que ela tinha uma síndrome letal, a síndrome de Edwards... (não podíamos ter colocado nome mais significativo!). Nunca pensei em minha vida em perder um filho e aquela notícia nos abalou, de primeiro impacto, mas jamais nos revoltou. Vivemos a gestação da Celina em meio a louvores e ação de graças, sustentados pelas orações da Comunidade, amigos, parentes, conhecidos e até desconhecidos! Deus sabe o que pede de cada um e Celina era um presente para nós! A amamos em cada momento em que ela esteve conosco e acreditamos que Deus realizaria um milagre! Preparamos tudo para sua chegada, a acolhemos em cada detalhe, fotos, lembrancinhas, chá de bebê, roupinhas, até reformamos a casa e compramos um carro maior! Até que, com 34 semanas de gestação, Celina se despediu de nós, na noite após seu chá de bebê. Deus, em sua infinita graça, me sustentou em pé, diante daquela cruz! Entregamos a Ele, quem a Ele pertencia, a “filha do céu e pequena guerreira” combateu seu combate e foi elevada à glória dos céus! E, Deus realizou seu milagre em nós através dela! Sim, Ele realizou um milagre! Não aquele que esperávamos, talvez, mas o que nós verdadeiramente precisávamos experimentar! 

  

                 Depois desses meses tão intensos, quando se completou um mês de sua partida pra Casa, Ele me pediu para dar a luz ao nosso “quinto filho”! Foi quando, verdadeiramente, a inspiração me visitou muitas e muitas vezes, e eu pude escrever em menos de dois meses, a parte mais difícil do livro para mim! O Espelho do Monge (OEDM) foi concluído em 22 de agosto de 2012 (dia que seria aniversário do meu falecido pai), e me ensina até hoje... na verdade, ele não havia sido concluído como eu pensava.

 

                  Após seu término, comecei a ensaiar outras histórias, enquanto tentava apresenta-lo às editoras, para ser publicado de forma gratuita, pois não tinha recursos para tal.

                 Um ano depois, fui surpreendida com o pedido de continuar a escrita dO Espelho do Monge! Me assustei com esse novo desafio, porque eu pensava ter fechado a história e não sabia o que mais poderia escrever! Por obediência, aceitei o desafio e, esperando inspiração para a continuação da história, a recebi para escrever , além dessa, ainda mais uma! E isso incluiu seus títulos: A Perseguição e A Espada!

 

                     Meu primeiro filho ainda era bebê e eu já me via grávida novamente, e de mais dois!!

                  Cerca de dois anos após o termino do primeiro livro, iniciei a escrita da continuação, antes mesmo dele ter sido aceito para publicação. Terminei A Perseguição em 13 de abril de 2014. Nesse mesmo ano, em novembro, abandonei a tentativa com as editoras gratuitas, fechando contrato com a Chiado em dezembro de 2014. O Espelho do Monge foi lançado oficialmente em 15 de maio de 2015 (dia do meu aniversário de matrimônio).

 

                  Agora, o que eu escrevia no silencioso escondimento do meu quarto, seria exposto como no alto de uma montanha... e isso me assustou um pouco. Uma coisa é escrever, outra é ter seu livro publicado! Diferente, emocionante, mas desafiante!

  

                  O Espelho do Monge se parece com um livro de romance e ficção, mas se propõe a mais que isso. Através de uma linguagem simbólica, fala de realidades concretas, de personagens reais. É um livro que convida também a uma diversão, esperando oferecer uma leitura prazerosa, com uma linguagem, ao meu ver, simples. Cada capítulo, um acontecimento, nada colocado “para aumentar linhas” mas tudo com uma razão de ser e estar ali. Alguns momentos mais demorados e outros mais rápidos, numa didática cuidadosa por aquilo que eles trazem em si, mas desejando proporcionar, no conjunto, uma leitura dinâmica e bem humorada.

 

                  Falando em desafios, um em especial se coloca à minha frente: Será que as pessoas entenderiam a proposta do livro? Descobri que, alguns sim, outros, não. Me convenci que isso faz parte da linguagem que escolhi imprimir para a história. Penso que, quem o ler somente como um livro de romance ou ficção, poderá ficar só nisso, (muitos ficaram e gostaram da leitura!) mas quem se aventurar a mergulhar nele, descobrirá muito mais! Por esse motivo e com esse objetivo, incentivo uma leitura mais cuidadosa da história, ao dizer que O Espelho do Monge é um livro para ser descoberto! 

                  Acredito que O Espelho do Monge tem algo a revelar ao leitor, dele mesmo. Se ele aceitar viajar com Safia e se colocar em seu lugar, “calçando seus sapatos”, poderá descobrir muitas outras coisas, encontrar-se, encontrar e ser encontrado!! Descobrir que, na verdade, não é Safia a personagem principal, mas o próprio leitor! Assim, o livro não pretende terminar em sua última página, mas continuar na vida de cada um.